Rádio Muzangala

“NEGRITUDE” UNE CORDAS E RAÍZES AFRICANAS EM CONCERTO MEMORÁVEL

 “NEGRITUDE” UNE CORDAS E RAÍZES AFRICANAS EM CONCERTO MEMORÁVEL

O projecto “Negritude” voltou a afirmar-se como uma celebração vibrante da identidade africana, ao combinar a sonoridade refinada dos instrumentos de corda com o cancioneiro angolano, num espectáculo que proporcionou momentos intensos de emoção e nostalgia ao público presente

As considerações foram partilhadas pelo maestro angolano Malamba Camunga, que recentemente colaborou com o guitarrista e pesquisador português João Durão Machado num concerto realizado na sala da Febracis, em Talatona.

Entre acordes e heranças culturais, “Negritude” construiu uma verdadeira viagem musical, reunindo João Durão Machado, a cantora Marlene Quintas e cerca de 60 instrumentistas da Orquestra Sinfónica Camunga. O conceito nasceu a partir das obras intituladas “Negritude”, da autoria de João Durão Machado, bem como das composições do maestro baseadas no cancioneiro angolano, reinterpretadas sob uma estética contemporânea.

Malamba Camunga explicou que o concerto foi especialmente dedicado às guitarras clássicas, instrumento ainda pouco explorado no panorama musical angolano, numa aposta clara na valorização técnica e artística desta vertente. As composições foram apresentadas em versões renovadas, com arranjos modernos que evidenciaram o crescimento sociocultural da música angolana e a sua capacidade de dialogar com diferentes influências.

No alinhamento, a Orquestra interpretou temas como “Os Meninos do Huambo”, “Santa Maria”, “Muxima”, “Melodrama”, “Yolanda”, “Nakurue”, “La Cumparsita”, “Namuleleno”, “Nosso Lindo Caso de Amor”, “Yamore”, “Foi Assim”, “A Velha Chica” e “Ene Yakulu”. Um dos momentos mais marcantes da noite foi a homenagem ao saudoso Waldemar Bastos, com interpretações emocionadas de “Velha Chica” e “Yolanda”, que arrancaram aplausos prolongados da plateia.

João Durão Machado também apresentou composições como “Txicue Cue”, “Sacava”, “Murileno”, “Calumbo” e “Muajeio”, enquanto obras de Frantz Casseus, Héctor Angulo, Toumani Diabaté, Airton Fortes e Taiwo Adegoke enriqueceram a experiência sonora, elevando o concerto a uma dimensão verdadeiramente clássica.

Durante cerca de quatro horas, as guitarras pareceram ganhar voz própria. Entre solos intensos e acordes delicados, cada execução transformou-se num diálogo sensível com o público, onde as cordas narravam memórias, afectos e raízes profundas.

Num ambiente intimista, marcado por jogos de luzes suaves e um palco preenchido por dezenas de instrumentistas, “Negritude” consolidou-se como um espectáculo de afirmação cultural, onde a música clássica e o património angolano se entrelaçaram numa celebração autêntica da identidade e da arte.

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